Editorial
2016: um ano histórico para a Revista Portuguesa de Cardiologia
2016: A historical year to Revista Portuguesa de Cardiologia
Lino Gonçalves
Editor principal da Revista Portuguesa de Cardiologia

Como é do conhecimento de todos, a Revista Portuguesa de Cardiologia foi fundada em 1982, e os seus 34 anos de existência conferem‐lhe já uma maturidade e uma dignidade científica por todos esperada e desejada. Pelo caminho, a nossa revista foi evoluindo ao longo dos anos sempre num crescente de exigência e de qualidade, mostrando assim ao mundo o que de melhor se faz (e se fez) na cardiologia portuguesa em termos científicos.

É pois, com especial alegria e satisfação, que venho através deste editorial informar os leitores da Revista Portuguesa de Cardiologia de que o fator de impacto oficial para 2016 foi, pela primeira vez na história da nossa Revista, superior a um (1,195). Mesmo se excluirmos as poucas autocitações que tivemos em 2016, o fator de impacto mantem‐se acima de um (1,038). Estes excelentes resultados observados em 2016 surgem na continuidade de um crescimento acentuado do fator de impacto, a partir de 2015, como se pode ver na figura 1.

Figura 1.
(0.04MB).

Evolução do fator de impacto da Revista Portuguesa de Cardiologia.

De notar, no entanto, que esta boa notícia não está isolada, observando‐se outros sinais muito positivos e encorajadores que mostram que a evolução da Revista Portuguesa de Cardiologia é consistente e que está a caminhar no sentido correto. De facto, o índice de imediaticidade (immediacy índex), que é uma medida da rapidez com que um determinado artigo da Revista Portuguesa de Cardiologia é citado, tem vindo a aumentar ao longo dos anos quase duplicando, em 2016 (0,489), face ao valor observado em 2015 (0,276). Por outro lado, apesar de a nossa Revista ainda continuar no 4.° quartil, já nos encontramos no seu topo 17%, aproximando‐nos assim da linha que nos separa do 3.° quartil. Outro sinal objetivo muito importante da visibilidade internacional da nossa Revista resulta exatamente do local onde a nossa revista é citada. Na figura 2, a qual foi criada com base em dados fornecidos pelo 2016 Journal Citation Reports®Science Edition (Clarivate Analytics, 2017), podem ver-se as principais revistas que nos citam, as quais incluem alguns reputados periódicos da medicina cardiovascular mundial. Neste gráfico, as cores refletem os diferentes periódicos que nos citam e a dimensão da barra está associada ao número de citações nesse mesmo periódico. Da análise deste gráfico conclui-se que o periódico que mais citou a nossa Revista foi o International Journal of Cardiology, o qual foi seguido pelo American Journal of Cardiology, entre outros. De salientar que a taxa de autocitação da nossa Revista é baixa (13%). A Clarivate Analytics (ex‐Thomson Reuters), que é a empresa responsável pelo Journal Citation Reports que monitoriza os fatores de impacto das revistas científicas a nível mundial, considera aceitáveis valores de autocitação entre os 17-30%.

Figura 2.
(0.13MB).

Principais periódicos científicos onde a Revista Portuguesa de Cardiologia foi citada em 2016.

Outro sinal de sucesso que se observa resulta do aumento do número de artigos submetidos à nossa Revista para avaliação, o qual tem vindo a crescer progressivamente de 312, em 2014, para 380, em 2015, e para 387, em 2016. Só nos primeiros seis meses de 2017 foram já recebidos 260 artigos para revisão, mesmo sem se ter ainda conhecimento do excelente desempenho da nossa Revista em 2016. É pois natural que o número de artigos submetidos venha a aumentar ainda mais no futuro, o que irá permitir uma seleção mais rigorosa dos melhores artigos. Esta realidade irá seguramente estimular a cardiologia portuguesa a tornar‐se ainda mais competitiva.

A visibilidade da nossa Revista na internet, em 2016, foi muito boa (227136 visualizações no total), tendo sido mais visualizada no Brasil (90925), Portugal (63892), Estados Unidos da América (19991) e Reino Unido (4716). Em 2016, o número de downloads de artigos publicados (que é habitualmente associado pelos peritos a uma utilização pelos leitores do seu conteúdo na prática clínica) na Revista Portuguesa de Cardiologia atingiu outro máximo histórico de 85066.

Muitos dos objetivos estabelecidos no editorial publicado há cerca de um ano e meio, no número de janeiro de 2016 da Revista Portuguesa de Cardiologia, já foram concretizados ou estão em vias de concretização pela equipa editorial que atualmente gere a nossa revista1. Persistem, no entanto, ainda alguns desafios para o futuro. É preciso melhorar a performance da nossa Revista, nomeadamente na redução dos tempos de revisão editorial e na publicação ahead of print. É indispensável criar a breve trecho dentro da nossa sociedade uma revista exclusivamente eletrónica dedicada à publicação de casos clínicos/imagem, de forma a dar seguimento ao número crescente deste tipo de manuscritos que são submetidos e que não encontram espaço dentro da nossa Revista. Finalmente, para além do sumário eletrónico da Revista que já está a ser disponibilizado, em breve será desenvolvida uma App para uso em dispositivos eletrónicos portáteis e será criada uma versão mais interativa (em entrevista vídeo) do artigo recomendado do mês.

Todos estes resultados obtidos são, obviamente, fruto do grande trabalho de equipa que se tem desenvolvido entre editores delegados, editores associados, editores de suplementos, estatística e de ética, consultora editorial e bibliográfica, bem como de todo o corpo redatorial e de revisores da Revista Portuguesa de Cardiologia. Uma palavra de agradecimento é também devida ao secretariado da Revista, que tem sido de um profissionalismo exemplar. Agradeço pessoalmente a todos o empenho e a dedicação que têm colocado ao serviço da Revista Portuguesa de Cardiologia, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e da cardiologia portuguesa. Nada do que se conseguiu teria sido possível sem o apoio incondicional da Direção da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e de todo o trabalho prévio estruturante que foi desenvolvido pelos responsáveis da Revista Portuguesa de Cardiologia que nos antecederam, com uma palavra especial de agradecimento para o Prof. Fausto Pinto. Existe ainda algum espaço de melhoria que temos que tentar aproveitar. Vai ser um desafio ainda maior para o futuro. Contamos com a colaboração de todos!

Referências
1
L. Gonçalves
Change in the editorial team of the Portuguese Journal of Cardiology
Rev Port Cardiol., 35 (2016), pp. 3-4 http://dx.doi.org/10.1016/j.repc.2015.11.001
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