Artigo Original
Aplicação do Glasgow Aneurysm Score como modelo preditivo de mortalidade em doentes com rutura de aneurisma da aorta abdominal
Application of Glasgow Aneurysm Score as Predictive Model of Mortality in Patients With Rupture of Abdominal Aortic Aneurysm
Rodolfo Abreu, , João Monteiro e Castro, Frederico Bastos Gonçalves, Gonçalo Rodrigues, Anita Quintas, Rita Ferreira, Nelson Camacho, Maria Emília Ferreira, João Albuquerque e Castro, Luís Mota Capitão
Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular, Hospital de Santa Marta, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa, Portugal
Recebido 27 Maio 2015, Aceitaram 27 Abril 2016
Resumo
Introdução

O updated Glasgow Aneurysm Score (uGAS), projetado para prever a mortalidade/morbilidade perioperatórias após rAAA, revelou ser um bom preditor de resultados a curto prazo após o tratamento com cirurgia convencional (CC) e Endovascular Aneurysm Repair (EVAR). Os objetivos foram caracterizar os doentes operados a Aneurisma da Aorta Abdominal roto (AAAr) e avaliar a aplicabilidade do uGAS na população de doentes de uma instituição terciária nacional, com capacidade de rEVAR.

Métodos

Fizemos uma análise retrospetiva dos doentes operados, no nosso serviço, a AAAr entre fevereiro/2011 e fevereiro/2015. As variáveis foram obtidas através da pesquisa numa base de dados de AAAr da instituição e incluíram: idade, sexo, presença de doença cardíaca, doença cerebrovascular, doença renal aguda/crónica e existência de choque pré‐operatório. Foi obtida a mortalidade perioperatória (30 dias ou intra‐hospitalar). O score de risco foi aplicado retrospetivamente e a mortalidade esperada foi comparada com a mortalidade obtida.

Resultados

Foram incluídos 89 doentes. Quarenta e nove (55%) foram tratados por CC e os restantes 40 (45%) por EVAR. Trinta e cinco por cento apresentavam doença cardíaca, 12% doença cerebrovascular, 45% doença renal e 25% choque pré‐operatório. O uGAS médio foi de 90,6±16,7. Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas entre doentes submetidos a CC e EVAR, relativamente ao uGAS (p=0,105). A mortalidade aos 30 dias foi de 39,8%, tendo sido significativamente menor nos doentes submetidos a EVAR do que nos submetidos a CC (20 vs. 55%; p=0,001).

Os doentes que morreram eram significativamente mais jovens (70 vs. 76 anos; p=0,031), apresentavam maior prevalência de doença renal (55 vs. 45%; p=0,008), choque (59 vs. 41%; p=0,033) e um uGAS mais elevado (100±12,5 vs. 84,6±16,3; p<0,001). A mortalidade dos doentes com uGAS<=85 foi 14,3% e dos doentes com uGAS>85 foi 56,6%.

Conclusão

Os resultados demonstram a aplicabilidade do score uGAS para estratificação do risco num coorte nacional de doentes com AAAr em que o EVAR é uma alternativa disponível. Contudo, uma vez que não foi possível identificar um cut‐off capaz de prever uma mortalidade de 100%, ressalvamos que a utilização de scores compreende o risco de recusa de tratamento a doentes que poderiam eventualmente sobreviver. Adicionalmente, estes resultados sugerem que o tratamento dos AAAr por EVAR se associa a melhores resultados.

Abstract
Introduction

The updated Glasgow Aneurysm Score (uGAS), designed to predict mortality/morbidity perioperative after rAAA, proved to be a good predictor of short term results after treatment with conventional surgery (CC) and EVAR. The objectives were to characterize patients operated at rAAA and evaluate the applicability of uGAS in the population of a national tertiary institution with rEVAR capacity.

Methods

We did a retrospective analysis of patients operated in our service to rAAA between February/2011 to February/2015. The variables were obtained through a search in a database of the institution and included age; sex; presence of heart disease, cerebrovascular disease, acute/chronic kidney disease and preoperative shock. Perioperative mortality (30‐day or in‐hospital) was obtained. The risk score was applied retrospectively and expected mortality compared with the mortality that was obtained.

Results

89 patients were included. 49 (55%) were treated by CC and the remaining 40 (45%) by EVAR. 35% had heart disease, 12% cerebrovascular disease, kidney disease 45% and 25% preoperative shock. The average uGAS was 90.6±16.7. There were no statistically significant differences between patients undergoing EVAR or CC respecting to uGAS (p=0,105). Mortality at 30 days was 39.8% and was significantly lower in patients undergoing EVAR than in those undergoing CC (20% vs 55%; p=0.001).

Patients who died were significantly younger (70 vs. 76 years, p=0.031), had a higher prevalence of kidney disease (55% vs 45%; p=0.008), shock (59% vs 41%; p=0.033) and a higher uGAS (100±12,5 vs 84.6±16,3; p<0.001). The mortality of patients with uGAS <=85 was 14.3% and patients with uGAS >85 was 56.6%.

Conclusion

The results demonstrate the applicability of the uGAS score for risk stratification in a National cohort of patients with RAAA that EVAR is an alternative available. However, since it was not possible to identify a cut‐off able to provide a mortality of 100% We point out that the use of scores comprises the risk of treating patients refusing that could possibly survive. Additionally, these results suggest that treatment of RAAA by EVAR is associated with better outcomes.

Palavras‐chave
Aneurisma da aorta abdominal, Rutura de aneurisma da aorta abdominal, EVAR, Índice de Glasgow, Índices prognósticos
Keywords
Abdominal Aortic Aneurysm, Rupture of Abdominal Aortic Aneurysm, EVAR, Glasgow Aneurysm Score, Prognostic index

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