Artigo original
Resultados de um programa piloto de desestigmatização da saúde mental juvenil
Results of a pilot program for the de‐stigmatization of youth mental health
Marta Gonçalvesa,b,, , Carla Moleiroa
a Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE‐IUL), Cis‐IUL, Lisboa, Portugal
b Harvard Medical School, Boston, Estados Unidos da América
Received 06 March 2015, Accepted 23 June 2016
Resumo
Introdução

O estigma continua a ser uma barreira significativa para a promoção efetiva da saúde mental juvenil. O estigma tem estado associado de forma negativa com os cuidados de saúde mental.

Objetivo

O objetivo deste artigo é apresentar os resultados de um teste piloto de uma intervenção para a desestigmatização da saúde mental baseada em vídeo, administrada em ambiente escolar (n=207).

Método

As salas de aula de uma escola foram selecionadas aleatoriamente para o grupo de intervenção e de controlo no estudo, pertencendo todos os alunos em cada sala de aula ao mesmo grupo. Aos adolescentes no grupo de tratamento foi mostrado um vídeo tocando em temas como o estigma dos cuidados de saúde mental exposto por uma jovem par. Ambos os grupos de intervenção e de controlo foram avaliados em três momentos distintos – pré, pós e um mês de follow‐up com os seguintes três instrumentos, adaptados com autorização dos respetivos autores: Escala de Autoestigma na Procura de Ajuda (SSOSH), de Vogel et al., Escala de Estigma Social em relação a Ajuda Psicológica (SSRPH), de Komiya et al., e o Questionário de Atribuição para Crianças (AQ‐8‐C), de Corrigan.

Resultados

A intervenção reduziu significativamente as pontuações nas três escalas para o grupo de tratamento no período pós‐intervenção. Este declínio na pontuação entre o grupo de tratamento foi significativamente maior do que o declínio nos valores observados no grupo de controlo. A diminuição do estigma permaneceu maior para o grupo de tratamento do que para o grupo de controlo no período de acompanhamento, embora estes resultados não tenham alcançado significância estatística. Após o ajuste para indicadores socioeconómicos, ano de escolaridade e sexo, foram identificados efeitos de intervenção significativos no período pós no autoestigma e na procura de ajuda.

Conclusão

O estigma desempenha um grande papel na necessidade não atendida de cuidados de saúde mental. Além de diminuir o acesso aos cuidados de saúde mental, o estigma também pode prejudicar diretamente os adolescentes através da redução da autoestima. A importância do desenvolvimento de intervenções rápidas e de baixo custo de redução do estigma é crucial para melhorar o acesso ao tratamento de saúde mental para aqueles que necessitam do mesmo.

Abstract
Introduction

Stigma remains a significant barrier to the effective promotion of youth mental health. Stigma has been associated negatively with the mental health care.

Objective

The aim of this article is to present the results of a pilot test of an intervention for the de‐stigmatization of mental health based on video administered in the school environment (N=207).

Method

The classrooms of a school were randomized to the intervention and control group in the study, all students in each classroom belonging to the same group. Adolescents in the treatment group were shown a video touching on issues such as the stigma of mental health care exposed by a young peer. Both intervention and control groups were evaluated at three different times ‐ pre, post and 1 month of follow‐up with the following three instruments adapted with permission of their authors: Self Stigma of Seeking Help Scale (SSOSH) of Vogel et al., Social Stigma for Receiving Psychological Help Scale (SSRPH) of Komiya et al. and Attribution Questionnaire‐Children form (AQ‐8c) of Corrigan.

Results

The intervention significantly reduced scores in the three scales for the treatment group post‐intervention. This decline in scores within the treatment group was significantly greater than the decline in values observed in the control group. The decrease stigma remained higher for the treatment group than for the control group at follow‐up, although these results did not reach statistical significance. After adjusting for socio‐economic indicators, grade and gender, significant intervention effects were identified in the post in self‐stigma and in seeking help.

Conclusion

Stigma plays a big role in unmet need for mental health care. In addition to lowering the access to mental health care, stigma can also harm directly adolescents by reducing self‐esteem. The importance of developing a rapid response and low cost of reducing stigma is critical to improve access to mental health treatment for those in need of it.

Palavras‐chave
Juventude, Saúde mental, Desestigmatização, Estratégias de contacto, Contexto escolar, Vídeos
Keywords
Youth, Mental health, De‐stigmatization, Contact strategies, School environment, Videos

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