Original Article
Prevalence of paroxysmal atrial fibrillation in a population assessed by continuous 24-hour monitoring
Prevalência da fibrilhação auricular paroxística numa população avaliada por monitorização contínua de 24 horas
João Primoa, Helena Gonçalvesb, Ana Macedoc,, , Paula Russod, Telma Monteiroe, João Guimarãesd, Ovidio Costaf
a Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Cardioteste Porto, Porto, Portugal
b Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Gaia, Portugal
c Keypoint Scientific Consulting Lda., Oeiras, Portugal
d Cardiologia Unilabs Porto, Porto, Portugal
e Serviço de Urgência, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal
f Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal
Received 02 August 2016, Accepted 15 November 2016
Abstract
Introduction

Atrial fibrillation (AF) is the most common sustained arrhythmia in clinical practice and a major cause of morbidity, due to the associated risk of stroke. However, since it is often paroxysmal, it is commonly underdiagnosed and undertreated.

Objectives

The primary objective of this prospective study was to determine the prevalence of paroxysmal atrial fibrillation (PAF) in patients aged 40 and above in a population who underwent continuous 24-hour electrocardiographic monitoring. The secondary objectives were to determine the overall prevalence of AF/atrial flutter (AFL) regardless of the type and to compare the population with AF with the general population and patients with PAF with patients with AF.

Results

A total of 4843 consecutive patients were analyzed, 58% women, 26.2% aged 70-79 years (n=1269), 25.9% (n=1252) aged 60-69 years, and 19.0% (n=923) aged 50-59 years; the others were aged either >80 years (n=712, 14.7%) or <50 years (n=686, 14.2%). At least one episode of PAF was detected in 123 patients, a prevalence of 2.5% (95% CI: 2.1-3.0). The prevalence of persistent AF throughout the monitoring period was 9.4% (95% CI: 8.6-10.2) (n=454). Additionally, 39 cases of typical AFL were detected, but in 23 of them (sustained or paroxysmal) this appeared isolated, a prevalence of 0.8% (95% CI: 0.6-1.1). The overall prevalence of AF/AFL was thus 12.4%. The presence of some type of AF/AFL was significantly correlated with male gender (p<0.001), age (especially in the 70-79 and >80 age-groups) (p<0.001) and hypertension (p<0.001). This group had a significantly higher prevalence of previous stroke (56 patients [9.3%], p=0.001) and acute myocardial infarction (5.3%, p<0.001). Comparing the population with PAF and/or paroxysmal AFL (PAF/PAFL) to those with persistent AF (during 24-hour monitoring), significant differences were found: a higher prevalence of PAF/PAFL in younger individuals (40-49, 50-59 and 60-69 age-groups) and lower in older individuals (70-79 and >80 age-groups) (p<0.001), higher prevalence of history of stroke (p=0.024), and lower levels of hypertension (p<0.001). Only 12.8% of patients with PAF were taking anticoagulant drugs.

Conclusions

The prevalence of PAF found in a population referred for continuous 24-hour electrocardiographic monitoring for diverse reasons was 2.5% and the overall AF/AFL prevalence was 12.4%. PAF was more prevalent in younger patients. Patients with PAF showed a significantly lower prevalence of hypertension and significantly higher rates of stroke. Systematically detecting patients with PAF is a major public health concern, since early diagnosis is essential to identify candidates for oral anticoagulation and catheter ablation, which is frequently curative when applied at this stage.

Resumo
Introdução

A fibrilhação auricular (FA) é a arritmia sustentada mais frequente na prática clínica, constituindo uma importante causa de morbilidade pelo risco associado de acidente vascular cerebral (AVC). Devido ao seu caráter muitas vezes paroxístico encontra-se, contudo, subdiagnosticada e subtratada.

Objetivos

Estudo prospetivo que tem como objetivo principal o cálculo da prevalência da FA paroxística em doentes com 40 ou mais anos de idade, numa população submetida a monitorização eletrocardiográfica contínua de 24 horas. Como objetivos secundários: o cálculo da prevalência total de FA e flutter auricular (FLA), independentemente do tipo, e a comparação entre as populações com FA versus população total e FA paroxística versus FA persistente nas 24 horas.

Resultados

Este estudo analisou um total de 4843 doentes consecutivos, 58% dos quais do sexo feminino. Vinte seis vírgula dois por cento dos doentes encontrava-se na faixa etária dos 70-79 anos (n=1269), 25,9% (n-1252) entre os 60-69 anos e 19,0% (n-923) entre os 50-59 anos; os restantes doentes ou tinham idades superiores a 80 anos (n=712, 14,7%), ou inferiores a 50 (n=686, 14,2%). Entre os doentes referenciados e analisados, registaram-se 123 com registo de pelo menos um período de FA paroxística, o que equivale a uma prevalência de 2,5% (IC a 95%, 2,1-3,0). A prevalência de doentes com FA durante todo o registo foi de 9,4% (IC a 95%, 8,6-10,2) (n=454). Registaram-se ainda 39 casos de doentes com flutter típico, mas em 23 quer mantido quer paroxístico aparecia isolado, o que corresponde a uma prevalência de 0,8% (IC a 95%, 0,6 a 1,1). Tal indica que a prevalência de doentes com FA/FL total é de 12,4%. A presença de alguma forma de FA/FLA correlacionou-se significativamente com sexo masculino (p<0,001) e idade (sobretudo nas classes etárias dos 70-79 anos e>80 anos) (p<0,001), com hipertensão arterial (p<0,001). Este grupo tem uma prevalência significativamente maior de antecedentes de AVC (p=0,001), 56 pacientes (9,3%), bem como de enfarte agudo do miocárdio, 5,3% (p<0,001). Ao comparar a população de doentes com FA paroxística e FLA paroxístico (FA/FLp) versus FA persistente, verificaram-se diferenças significativas (p<0,05) entre ambos nos seguintes parâmetros: prevalência significativamente maior de FA/FLp nos indivíduos situados nas classes etárias mais jovens (entre os 40-49, 50-59 e 60-69 anos), e significativamente menor nos indivíduos situados nas classes etárias dos 70-79 anos e>80 anos (p<0,001); prevalência significativamente maior de antecedentes de AVC (p=0,024) e significativamente menor de hipertensão arterial (p<0,001). Apenas 12,8% dos que apresentavam FA paroxística estavam hipocoagulados.

Conclusões

A prevalência da FA paroxística encontrada numa população submetida por motivos não selecionados a monitorização eletrocardiográfica de 24 horas é de 2,5% e a prevalência total de FA/FLA é de 12,4%. A FA paroxística afeta doentes mais jovens, sendo menos dependente de fatores de risco, como hipertensão arterial. Correlaciona-se com percentagens significativamente superiores de AVC. A deteção sistemática destes doentes é um importante problema de saúde pública sendo diagnóstico precoce essencial na definição de candidatos para hipocoagulação oral e tratamento por ablação por cateter, a qual apresenta uma elevada taxa de sucesso curativa quando aplicada nesta fase.

Keywords
Paroxysmal atrial fibrillation, Electrocardiographic monitoring, Risk factors
Palavras-chave
Fibrilhação auricular paroxística, Monitorização eletrocardiográfica, Fatores de risco

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